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a Parteira explica

Este blog pretende facultar informação credível e científica sobre planeamento familiar e pré-concepcional, gravidez, preparação para o parto, cuidados ao RN, saúde infantil e amamentação

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01
Jun18

“Representações da gravidez e m/paternidade"

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A gravidez é o período de cerca de 40 semanas que decorre entre a concepção e o nascimento do novo ser. Época dotada de experiências, sentimentos, expectativas, encanto e maior vulnerabilidade pessoal independentemente de ser ou não planeada (Leal, 2005). Hoje, tende a ser um acontecimento menos frequente e mais adiado, pois dada a actual situação económica e social a maioria dos casais procura estabilidade profissional antes da sua concretização, uma vez que, “ter um filho é cada vez mais um projecto de vida dispendioso a todos os níveis, do qual não se pode desistir nunca” (Leal, 2005, p.15).

A gravidez pode traduzir diversas realidades: concretização de um grande amor, relações conflituosas, imposição de um dos elementos (que o outro aceita apenas pelo medo da perda), um acaso ou um meio para atingir um fim (opção tomada por alguns casais na tentativa de salvar a relação, o que não tem muito êxito na realidade com que me deparo) (Canavarro, 2006). Assim, as gravidezes nem sempre resultam de um investimento pessoal/conjugal, de uma reflexão mas também derivam de vivências difíceis, pelo que em alguns casos não são sinónimo de felicidade, o que coloca em risco a capacidade de adaptação à situação (Canavarro, 2006; Leal, 2005).

Devo dizer que a maioria das gravidezes que conheço continuam a ser um objectivo no projecto de vida individual e do casal “no momento certo”. Hoje, apesar de toda a informação que existe continuam a surgir gravidezes que embora não planeadas, não foram evitadas mas acredito que nada é por acaso e que muitas vezes se não for inesperado o momento certo nunca chega.

Os nove meses da gravidez constituem um período de transição, que tem como função preparar os pais para as tarefas complexas e desafiantes que se lhes vão colocar pela frente. É um processo cultural, social e cognitivo, no qual através de ensaios de papéis e tarefas maternas/paternas, de ligações afectivas, de reflexões, os futuros pais se preparam para a consolidação da m/paternidade. A gestação acarreta mudança e cada mudança gera stress, implica perdas e ganhos, conforme o significado que tem para cada pessoa (pode ser angustiante ou recompensadora), e solicita adaptações (Canavarro, 2006).

O desafio inicial prende-se com descobrir e aceitar a gravidez, através de mudanças físicas/emocionais que a mulher vivência e depois pela possibilidade de visualizar o feto na ecografia. No segundo trimestre, o auge ocorre quando se sentem os movimentos fetais, o que contribui para um maior envolvimento do pai na gravidez. Aqui, ideias pré-concebidas sobre bem-estar fetal, parto vaginal e amamentação, poderão contribuir para um menor interesse sexual do homem pela mulher, realidade oposta ao desejo feminino. Nesta fase, “a proximidade com a sua companheira pode manifestar-se por sintomas psicossomáticos, gastrointestinais, alterações de apetite/peso, cefaleias e ansiedade” (Martín-Moyano, et al, 2009, p.51). No último trimestre da gestação, regressa a ansiedade e o medo do parto paralelo ao desejo cada vez maior de ver o bebé. Aqui normalmente aconselha-se a manutenção de uma vida sexual, para servir de estímulo à indução natural do parto, evitar cesarianas e constituir uma oportunidade do pai contribuir activamente no nascimento do filho.

A m/paternidade dependem da cultura e da sociedade em que estamos inseridos, “na nossa cultura cristã ocidental, a maternidade transcende em tudo a mera gravidez” (Leal, 2005, p.11). Trata-se de um projecto para toda a vida, repleto de amor, cuidados, interesse, partilha, responsabilidades e acções determinantes para o crescimento saudável do novo ser (Canavarro, 2006). Depende da disponibilidade pois “requer que, mais do se desejar ter um filho, se deseje ser mãe” (Leal, 2005, p.12). Como refere Canavarro (2006), a maternidade é um processo natural, instintivo, inato, determinante para a identidade sexual e realização pessoal das mulheres. Penso que para os pais a transição para a parentalidade vai depender das relações interpessoais, com a companheira/família. Os seus sentimentos acerca do nascimento de um filho podem ser ambíguos, receiam a perda de liberdade, de independência, e de romance com a sua companheira (Colman & Colman, 1994). Por outro lado sentem orgulho (representativo da sua masculinidade e fertilidade), ansiedade e incerteza, relacionadas com as novas responsabilidades e exigências (económicas, pessoais, sociais e laborais), sendo fundamental uma reorganização de papéis e funções na vida pessoal, conjugal e profissional.

Actualmente, as mudanças nos papéis sociais têm contribuído para o aumento do envolvimento dos pais com os bebés. A entrada da mulher no mercado de trabalho tornou-a menos disponível para cuidar das crianças, pelo que os pais deixaram de estar apenas comprometidos com o sustento económico e com a disciplina e tiveram de dividir a prestação de cuidados, nas diferentes etapas do desenvolvimento da criança (Cabrera, Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth & Lamb, citados por Brandão, 2009).

 

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