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a Parteira explica

Este blog pretende facultar informação credível e científica sobre planeamento familiar e pré-concepcional, gravidez, preparação para o parto, cuidados ao RN, saúde infantil e amamentação

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17
Jul18

ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO NA GRAVIDEZ

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A consulta pré-concepcional é a melhor altura para informar e aconselhar sobre os hábitos que poderão influenciar a gravidez (alimentares, tabágicos, alcoólicos, consumo de drogas, medicamentos e outros) e para fazer um aconselhamento geral sobre dieta, exercício físico e actividade profissional. O objectivo primordial é assegurar que a gravidez culmine no nascimento de um bebé saudável sem danos para a saúde materna.

Anteriormente, o American College of Obstetricians and Gynecologists, entre outros, recomendavam que a progressão ponderal durante a gravidez fosse de 10 a 12 quilos. Deste aumento, 9 quilos representariam o produto da concepção e os ajustamentos fisiológicos da gravidez (feto, placenta, líquido amniótico, útero, aumentos da volémia e do volume mamário e a retenção de água no espaço intersticial); e os outros 1 a 3 quilos diriam respeito ao aumento do tecido adiposo materno.

Actualmente, acredita-se que o ganho ponderal gestacional adequado deverá basear-se em factores maternos como a idade, a raça, os hábitos (tabagismo, por exemplo), o número de fetos e, sobretudo, a massa corporal (peso/altura) anterior à gravidez. Desta forma, o peso pré-concepção pode ser um indicador de risco, identificando as mulheres com maior probabilidade de complicações ao longo da gravidez; as mulheres obesas têm maior probabilidade de complicações (hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, atraso de crescimento intra-uterino) tanto durante a gravidez, como no parto e puerpério.

A evidência científica mostra que a saúde do filho, é em grande parte, programada durante a sua vida intrauterina, assim, recomenda-se a adopção de um estilo de vida saudável, que deve iniciar-se de preferência antes da gravidez ou corrigir-se o mais precocemente possível, de modo a garantir uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades da gravidez.

Um rápido aumento de peso, mais de 1,5 kg numa semana, associado a edemas, deve sempre requerer avaliação clínica (pressão arterial, evolução dos edemas e avaliação analítica). Por seu turno, um inadequado ganho de peso na gravidez pode estar associado ao aumento do risco de atraso de crescimento intra-uterino. Por esta razão, é importante que todas as grávidas sejam acompanhadas por prestadores de cuidados especializados, nomeadamente médicos e enfermeiros obstetras. Quando se justifique pode ser necessária a colaboração de um dietista ou de um nutricionista.

 

Desta forma, um dos mais importantes indicadores do ganho de peso gestacional e do seu impacto na saúde da mãe e do filho é o peso pré-concepcional ou no início da gravidez, ou seja o IMC (Índice de Massa Corporal) prévio à gravidez assume particular importância:

 

PROGRESSÃO PONDERAL

IMC da mulher antes de engravidar

Ganho de peso total

Ganho de peso médio por semana para o 2º e 3º trimestres*

Baixo peso

IMC <18,5

12,5 Kg - 18 kg

Cerca de 0,5 kg por semana

Peso normal

18,5 ≤ IMC ≥ 24,9

11,5 Kg - 16 kg

 

Cerca de 0,4 kg por semana

Excesso de peso

IMC entre 25 e 29,9

7 Kg - 11,5 kg

Cerca de 0,3 kg por semana

Obesidade

IMC ≥ 30

5 Kg - 9 kg

Cerca de 0,2 kg por semana

 

*Para o 1º trimestre, espera-se um aumento de peso total de 0,5 a 2kg

IMC – Índice de massa corporal (peso em kg dividido pela altura em metros ao quadrado, ou kg/m2).

Fonte: DGS, 2015

 

Exemplo: uma mulher com 60 Kg e com 1,60m tem um IMC = 23,4

(60kg/1,60m x1,60m), pelo que deverá aumentar entre 11,5 a 16 kg na gravidez.

 

 

Assim, ter uma alimentação saudável durante a gravidez é essencial para o crescimento saudável do bebé e para o bem-estar materno. As recomendações alimentares na gestação não são muito diferentes das recomendações alimentares para toda a população, e estão de acordo com as orientações da Roda dos Alimentos.

 

 

 

Recomendações Alimentares:

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  • Dieta equilibrada, variada e polifracionada (3/3h) - não devendo pensar que tem que “comer por dois”;
  • Recomenda-se 5 a 6 refeições diárias (devem existir duas a três refeições principais e dois a três lanches de acordo com as suas rotinas);
  • Ingestão de 2 L de água/dia;
  • Outras formas de hidratação (sumos naturais – atenção ao nº peças de fruta, chás sem cafeína - camomila, cidreira, limão, tília…);
  • Ingerir cerca de 2400 calorias diárias, através de uma alimentação equilibrada, distribuídas por 12% de proteínas (carne de preferência branca, peixe, ovos, leite e derivados, feijão e tofu); 45-65% de hidratos de carbono; 20-35% de gorduras (peixe, nozes e azeite); vitaminas (3 peças de fruta por dia) e lacticínios (0,5 Litro de leite animal ou leite de soja);
  • Comer 3 porções de laticínios meio-gordos ou magros por dia (atenção à pasteurização);
  • Privilegiar o consumo de hortícolas, iniciando as refeições principais sempre com uma sopa de legumes. Os alimentos deste grupo devem ocupar também cerca de 1/2 do 2º prato;
  • Carne, Peixe e os Ovos bem cozinhados;
  • Legumes e vegetais se ingeridos crus deverão ser bem lavados;
  • 3 peças de fruta por dia;
  • Evitar ingestão de enchidos, carnes curadas;
  • Reduzir a ingestão de cafeína e adoçante;
  • Consumir com moderação o grupo dos cereais, como pão, arroz e massa, de preferência integral (bem repartidos ao longo do dia e não misturar na mesma refeição);
  • Preferir sempre gordura vegetal como o azeite;
  • Moderar o consumo de sal, utilizando pouco sal para cozinhar, não adicionando sal no prato e evitando produtos e alimentos com excesso de sal. Em alternativa utilizar ervas aromáticas, como orégãos, salsa, coentros, cebolinho, tomilho, manjericão;
  • Praticar actividade física moderada;
  • Evitar bebidas alcoólicas.

 

 

Sugestões:

 

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  • Lanches - Variar e combinar alimentos como fruta, iogurte ou leite, com hidratos de carbono como pão escuro ou de mistura ou frutos secos (amêndoas, nozes, avelãs, pinhões), sempre com moderação;
  • Torne o prato colorido e apelativo e guie-se pela variedade e porções da Roda dos Alimentos.

 

Evitar:

  • Produtos açucarados – Evitar produtos de pastelaria, sobremesas açucaradas, refrigerantes, chocolates, gomas, rebuçados, etc.;
  • Alimentos salgados – Evitar produtos de charcutaria, salsicharia, alguns queijos, alimentos processados industrialmente, caldos concentrados, alimentos tipo fast-food, etc.;
  • Alimentos ricos em gordura – Evitar produtos de charcutaria e enchidos, chocolates, massas folhadas, produtos de pastelaria, molhos, etc..
  • Misturar vários hidratos de carbono na mesma refeição ( pão, massa, arroz, batata);
  • Cafeína (evitar a ingestão de cafeína acima de 200 mg/dia);

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Boyne, L. (1999). Nutrição Materna e Fetal. In Bobak, I, Lowdermilk, D. & Jensen, M. (Eds.), Enfermagem na Maternidade (7.ª Ed., pp. 182-211). Loures: Lusodidacta.

DGS (2015). Programa Nacional para a Vigilância da gravidez de Baixo Risco. Retirado a 05-06-2018 de file:///C:/Users/Utilizador/Desktop/DGS%20vigilancia%20da%20gravidez%20de%20baixo%20risco.pdf

DGS (2015). Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Alimentação e Nutrição na Gravidez. Retirado a 05-062018 de https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2015/04/Alimentacao-e-nutricao-na-gravidez.pdf

Graça, L. (2010). Restrição do crescimento intra-uterino. In: Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. 4ªEd (pp. 456-464). Lisboa: Lidel.

Klein, P. (1999). Anatomia e Fisiologia da Gravidez. In Bobak, I, Lowdermilk, D. & Jensen, M. (Eds.), Enfermagem na Maternidade (7.ª ed., pp. 95-113). Loures: Lusodidacta.

Machado, M. (2010). Assistência pré-natal. In: Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. (4ªEd, pp. 149-161). Lisboa: Lidel.

 

 

                                                                        a Parteira explica

 

03
Jul18

Suplementação na Gravidez

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Suplementação na gravidez 

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Quase todas as vitaminas e minerais estão presentes em quantidades suficientes em praticamente todos os regimes dietéticos equilibrados....quase, seguem-se as excepções:

 

  • O ácido fólico deve iniciar-se pelo menos dois meses antes da data de interrupção do método contraceptivo (400 μg/dia) e durante as 12 primeiras semanas de gestação, devido à rápida divisão celular no feto, ao aumento da filtração glomerular da grávida e pelo facto do tubo neural fechar no primeiro mês de gestação. Assim, permite prevenir malformações congénitas - defeitos do tubo neural, tais como espinha bífida, anencefalia e meningocelo. As grávidas com filho anterior com defeito do tubo neural ou com história familiar desta situação, devem realizar diariamente uma dose superior (5mg/dia).

 

  • O iodoimpõe-se uma adequada ingestão de iodo - tanto através da inclusão de alimentos que são fontes de iodo, como através da suplementação - necessária para completar as necessidades da grávida, para a maturação do sistema nervoso central do feto e para o seu adequado desenvolvimento. De acordo com a orientação da DGS – Aporte de iodo em mulheres na preconcepção, gravidez e amamentação, “as mulheres em preconcepção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio – 150 a 200 μg/dia, desde o período pré-concepcional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo (..)”. Nas mulheres com patologia da tiróide está contra-indicada esta suplementação.

  

  • O Ferro: o suplemento de ferro em 30 mg/dia é essencial durante o segundo e o terceiro trimestres de gestação, dado o elevado consumo de oxigénio pela gravidez, além da hemodiluição, que faz com que o nível médio da hemoglobina baixe. A absorção deste suplemento é melhor com o estômago vazio e quando tomado com sumos de citrinos, visto que a vitamina C aumenta a sua absorção.

 

  • Outros suplementos vitamínicos apenas se justificam nas grávidas adolescentes, na gravidez múltipla, nas grandes fumadoras, alcoólicas ou toxicodependentes, ou quando a dieta geral não é adequada.

 

  • Nas dietas vegetarianas podem ocorrer carências nutricionais, nomeadamente de ferro e vit. B12.

 

 

Fontes:

 

- Direcção Geral de Saúde [DGS] (2015). Vigilância da gravidez de baixo risco.

- Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. 4ªEd. Lisboa: Lidel.

 

 

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