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a Parteira explica

Este blog pretende facultar informação credível e científica sobre planeamento familiar e pré-concepcional, gravidez, preparação para o parto, cuidados ao RN, saúde infantil e amamentação

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21
Ago18

Está a pensar engravidar? Faça a consulta pré-concepcional...

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Quais-são-os-principais-medos-durante-a-gravidez.

 

     

      A maternidade é um processo natural, instintivo, inato, determinante para a identidade sexual e realização pessoal e familiar de algumas mulheres. Se o desejo de ter um filho despoletou em si, deve adoptar alguns cuidados e acções determinantes para o crescimento e desenvolvimento saudáveis do novo ser. Deixo alguns conselhos a quem deseja engravidar:

 

  • Fazer consulta pré-concepcional no ginecologista/obstetra e/ou no médico de família e, se possível com uma enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica, de modo a ter uma orientação e vigilância adequadas. A consulta pré-concepcional é a melhor altura para informar e aconselhar sobre os hábitos que poderão influenciar a gravidez(alimentares, tabágicos, alcoólicos, consumo de drogas, medicamentos e outros) e para fazer um aconselhamento geral sobre dieta, exercício físico e actividade profissional. O objectivo primordial é assegurar que a gravidez culmine no nascimento de um bebé saudável sem danos para a saúde materna.

 

  • Avaliação laboratorial – análises ao sangue e à urina.

 

  • Rastreio do cancro do colo do útero – deve actualizar este rastreio, se o anterior foi efectuado há mais de 3 anos, após 2 exames anuais negativos;

 

  • Iniciar a suplementação de ácido fólico: O ácido fólico deve iniciar-se pelo menos dois meses antes da data de interrupção do método contraceptivo (400 μg/dia) e durante as 12 primeiras semanas de gestação, permite prevenir malformações congénitas - defeitos do tubo neural, tais como espinha bífida, anencefalia e meningocelo. As grávidas com filho anterior com defeito do tubo neural ou com história familiar desta situação, devem realizar diariamente uma dose superior (5mg/dia).

 

  • Iniciar suplementação de iodo: impõe-se uma adequada ingestão de iodo - tanto através da inclusão de alimentos que são fontes de iodo, como através da suplementação - necessária para completar as necessidades da grávida, para a maturação do sistema nervoso central do feto e para o seu adequado desenvolvimento. De acordo com a orientação da DGS – Aporte de iodo em mulheres na preconcepção, gravidez e amamentação, “as mulheres em preconcepção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio – 150 a 200 μg/dia, desde o período pré-concepcional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo (..)”. Nas mulheres com patologia da tiróide está contra-indicada esta suplementação.

  

  • Rastreio e tratamento da cárie dentária

 

  • Aconselhamento nutricional: Ter uma alimentação saudável (IMC 19,8-26) (IMC= Peso/Alt²) – ver tópico sobre Alimentação e Nutrição na Gravidez no blog

 

  • Aconselhamento sobre prevenção da toxoplasmosever tópico toxoplasmose e gravidez no blog

 

  • Ter hábitos e estilos de vida saudáveisabolir o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, e evitar a ingestão de cafeína acima de 200 mg/dia), (...).

 

  • Controlar o stress e a ansiedade: A ansiedade e o stress dificultam o processo natural, pelo que trabalhar a parte psicológica e o equilíbrio emocional é essencial para que a gravidez aconteça (yoga, meditação, terapias psicológicas, terapias corporais relaxantes…).

  

  • Ter relações sexuais na altura ideal do ciclo menstrual: ter relações sexuais no período correto aumenta muito as hipóteses de engravidar. O ideal é ter relações aproximadamente 3 dias antes e 3 dias depois da ovulação, que ocorre 14 dias antes da próxima menstruação, por isso importa conhecer os seus ciclos menstruais. Por exemplo: se o seu ciclo menstrual é de 30 dias, a ovulação ocorrerá por volta do 16º dia (30 – 14 = 16), e as relações sexuais devem ocorrer com maior periodicidade do 13 ao 19º dia do ciclo menstrual.

 

  • Ter uma relação estável, sólida e feliz: uma boa relação é fundamental, tanto para que ocorra a concepção como para viverem e ultrapassarem juntos as alegrias e os desafios constantes da m/paternidade.

 

 

 

                                                                             a Parteira explica

02
Ago18

Aleitamento Materno

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Pequeno contributo para assinalar a Semana Mundial do Aleitamento Materno... o melhor e mais natural alimento para o seu bebé....por uma questão de SAÚDE, dar aos bebés aquilo a que simplesmente têm direito....LEITE MATERNO

 

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Benefícios para o Bebé:

  • Tem os nutrientes perfeitos;
  • É de fácil digestão, diminui a probabilidade de náuseas e vómitos;
  • Promove o desenvolvimento mandibular através da sucção;
  • Favorece a fala e o nascimento dos dentes;
  • Contém imunoglobulinas que protegem contra muitas infeções;
  • Menor incidência de otites, infeções respiratórias, vómitos, diarreia, diabetes juvenil, alergias, obesidade, problemas dentários e hipertensão adulta;
  • Melhor crescimento e desenvolvimento psicomotor, emocional e social.

 

Benefícios para a Mãe:

  • Diminui o risco de hemorragia e promove a recuperação no pós-parto;
  • Baixa incidência de Depressão pós-parto;
  • Estimula o vínculo afetivo entre a mãe e o bebé;
  • Ajuda a retardar uma nova gravidez, embora não a evite;
  • Reduz o risco de Cancro da Mama e Ovário;
  • Diminui a probabilidade de ter Osteoporose;
  • É mais económico e prático, pois está sempre disponível e na temperatura ideal (poupa cerca de 100€/mês).

 

Recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre a Amamentação

- Aleitamento materno na primeira meia hora após o parto;

- Aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade, pois o bebé não precisa de nenhum outro alimento;

- A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares e manter o aleitamento materno, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade.   

- Não dar tetinas ou chupetas a crianças amamentadas.

 

 Horário e Frequência das mamadas

 

  • Tem horário livre (sempre que o bebé quiser);
  • Devem mamar 8 a 12 vezes em 24horas no primeiro mês de vida;
  • As mamadas nocturnas têm muita importância na produção do leite;
  • Quando ocorrer a descida do leite, deve aumentar a frequência das mamadas para prevenir o ingurgitamento mamário.

  

Picos de Crescimento

 

Alguns bebés têm necessidades aumentadas entre a 3ª/4ª semana, 3º mês e 6º mês de vida que se resolvem naturalmente ao fim de alguns dias, sendo importante dar de mamar sempre que o bebé pede.

 

Evolução da Secreção do Leite

- O colostro é o primeiro líquido a ser produzido pela mama;

- É amarelo e espesso, está adaptado às necessidades do recém-nascido e é ideal para o seu metabolismo;

- Proporciona nutrição concentrada e anticorpos, que vão dar defesas imunitárias ao bebé;

- No início, as mamadas tendem a ser mais frequentes;

O colostro é facilmente digerido, é natural que o bebé queira mamar mais vezes;

- O colostro muda gradualmente, para leite, entre 2 a 5 dias após o parto, antes disso as mamas estão moles ao toque, ficando posteriormente cheias e mais duras. A isto dá-se o nome de descida do leite;

- Após o aparecimento do leite maduro, as mamadas passam a ser mais espaçadas.

  

 

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Os 10 pontos essenciais nas mamadas:

 

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1- A mãe e o bebé devem estar numa posição confortável;

2-  O bebé deve estar bem acordado. Desperte-o com estímulos vigorosos na face, no pé e falando com ele, de forma a que faça uma mamada o mais longa possível sem adormecer;

3- O bebé deve estar completamente virado para a mãe e com o seu corpo alinhado, entre a orelha, o ombro e a anca;

4- Deve segurar o bebé por trás dos ombros e com a cabeça apoiada., e mantenha o nariz do bebé destapado; Segure a sua mama em “C”;

5- A boca do bebé deve estar bem aberta e o seu queixo  deve estar encostado à mama e o lábio inferior virado para fora, sugando o mamilo e grande parte da aréola. Pode ouvir a criança a engolir lenta e profundamente, tendo as bochechas cheias;

6- É aconselhada a utilização de ambas as mamas em cada mamada, no entanto, o bebé deve esvaziar completamente uma mama antes de lhe oferecer a outra. A mamada seguinte é iniciada pela última mama da mamada anterior;

7–  Para prevenir o ingurgitamento mamário, pode ter necessidade de esvaziar as mamas manualmente após as mamadas, pois inicialmente o bebé pode não as conseguir esvaziar completamente;

8- Quando saciado o bebé deverá parar de sugar, com ar satisfeito. Para o retirar da mama coloque o seu dedo indicador entre a aréola e os lábios do bebé, evitando traumatismos no mamilo, que pode e deve hidratar com cremes à base de lanolina (p.ex: Purelan);

9– Deve pôr o bebé a  eructar (arrotar), antes de o colocar na outra mama e no final da mamada, virando-o para si sobre o seu ombro;

10- Após amamentar e o bebé eructar, coloque-o no berço em decúbito dorsal e com a cabeça lateralizada. O bebé pode não eructar., no entanto deve aguardar sempre cerca de 10 minutos com o bebé numa posição erecta antes de o colocar  no berço.

 

 

Contactos Úteis:

- SOS Amamentação - Conselheiras em Aleitamento Materno, voluntárias disponíveis 24h/dia

- Manual de Aleitamento Materno da UNICEF, disponível em https://unicef.pt/media/1584/6-manual-do-aleitamento-materno.pdf

 

Levy, L., & Bértolo, H. (2012). Manual de aleitamento materno. Lisboa: comité português para a unicef.  Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés

 

 

 

                                                                               a Parteira explica

 

 

 

 

 

17
Jul18

ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO NA GRAVIDEZ

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A consulta pré-concepcional é a melhor altura para informar e aconselhar sobre os hábitos que poderão influenciar a gravidez (alimentares, tabágicos, alcoólicos, consumo de drogas, medicamentos e outros) e para fazer um aconselhamento geral sobre dieta, exercício físico e actividade profissional. O objectivo primordial é assegurar que a gravidez culmine no nascimento de um bebé saudável sem danos para a saúde materna.

Anteriormente, o American College of Obstetricians and Gynecologists, entre outros, recomendavam que a progressão ponderal durante a gravidez fosse de 10 a 12 quilos. Deste aumento, 9 quilos representariam o produto da concepção e os ajustamentos fisiológicos da gravidez (feto, placenta, líquido amniótico, útero, aumentos da volémia e do volume mamário e a retenção de água no espaço intersticial); e os outros 1 a 3 quilos diriam respeito ao aumento do tecido adiposo materno.

Actualmente, acredita-se que o ganho ponderal gestacional adequado deverá basear-se em factores maternos como a idade, a raça, os hábitos (tabagismo, por exemplo), o número de fetos e, sobretudo, a massa corporal (peso/altura) anterior à gravidez. Desta forma, o peso pré-concepção pode ser um indicador de risco, identificando as mulheres com maior probabilidade de complicações ao longo da gravidez; as mulheres obesas têm maior probabilidade de complicações (hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, atraso de crescimento intra-uterino) tanto durante a gravidez, como no parto e puerpério.

A evidência científica mostra que a saúde do filho, é em grande parte, programada durante a sua vida intrauterina, assim, recomenda-se a adopção de um estilo de vida saudável, que deve iniciar-se de preferência antes da gravidez ou corrigir-se o mais precocemente possível, de modo a garantir uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades da gravidez.

Um rápido aumento de peso, mais de 1,5 kg numa semana, associado a edemas, deve sempre requerer avaliação clínica (pressão arterial, evolução dos edemas e avaliação analítica). Por seu turno, um inadequado ganho de peso na gravidez pode estar associado ao aumento do risco de atraso de crescimento intra-uterino. Por esta razão, é importante que todas as grávidas sejam acompanhadas por prestadores de cuidados especializados, nomeadamente médicos e enfermeiros obstetras. Quando se justifique pode ser necessária a colaboração de um dietista ou de um nutricionista.

 

Desta forma, um dos mais importantes indicadores do ganho de peso gestacional e do seu impacto na saúde da mãe e do filho é o peso pré-concepcional ou no início da gravidez, ou seja o IMC (Índice de Massa Corporal) prévio à gravidez assume particular importância:

 

PROGRESSÃO PONDERAL

IMC da mulher antes de engravidar

Ganho de peso total

Ganho de peso médio por semana para o 2º e 3º trimestres*

Baixo peso

IMC <18,5

12,5 Kg - 18 kg

Cerca de 0,5 kg por semana

Peso normal

18,5 ≤ IMC ≥ 24,9

11,5 Kg - 16 kg

 

Cerca de 0,4 kg por semana

Excesso de peso

IMC entre 25 e 29,9

7 Kg - 11,5 kg

Cerca de 0,3 kg por semana

Obesidade

IMC ≥ 30

5 Kg - 9 kg

Cerca de 0,2 kg por semana

 

*Para o 1º trimestre, espera-se um aumento de peso total de 0,5 a 2kg

IMC – Índice de massa corporal (peso em kg dividido pela altura em metros ao quadrado, ou kg/m2).

Fonte: DGS, 2015

 

Exemplo: uma mulher com 60 Kg e com 1,60m tem um IMC = 23,4

(60kg/1,60m x1,60m), pelo que deverá aumentar entre 11,5 a 16 kg na gravidez.

 

 

Assim, ter uma alimentação saudável durante a gravidez é essencial para o crescimento saudável do bebé e para o bem-estar materno. As recomendações alimentares na gestação não são muito diferentes das recomendações alimentares para toda a população, e estão de acordo com as orientações da Roda dos Alimentos.

 

 

 

Recomendações Alimentares:

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  • Dieta equilibrada, variada e polifracionada (3/3h) - não devendo pensar que tem que “comer por dois”;
  • Recomenda-se 5 a 6 refeições diárias (devem existir duas a três refeições principais e dois a três lanches de acordo com as suas rotinas);
  • Ingestão de 2 L de água/dia;
  • Outras formas de hidratação (sumos naturais – atenção ao nº peças de fruta, chás sem cafeína - camomila, cidreira, limão, tília…);
  • Ingerir cerca de 2400 calorias diárias, através de uma alimentação equilibrada, distribuídas por 12% de proteínas (carne de preferência branca, peixe, ovos, leite e derivados, feijão e tofu); 45-65% de hidratos de carbono; 20-35% de gorduras (peixe, nozes e azeite); vitaminas (3 peças de fruta por dia) e lacticínios (0,5 Litro de leite animal ou leite de soja);
  • Comer 3 porções de laticínios meio-gordos ou magros por dia (atenção à pasteurização);
  • Privilegiar o consumo de hortícolas, iniciando as refeições principais sempre com uma sopa de legumes. Os alimentos deste grupo devem ocupar também cerca de 1/2 do 2º prato;
  • Carne, Peixe e os Ovos bem cozinhados;
  • Legumes e vegetais se ingeridos crus deverão ser bem lavados;
  • 3 peças de fruta por dia;
  • Evitar ingestão de enchidos, carnes curadas;
  • Reduzir a ingestão de cafeína e adoçante;
  • Consumir com moderação o grupo dos cereais, como pão, arroz e massa, de preferência integral (bem repartidos ao longo do dia e não misturar na mesma refeição);
  • Preferir sempre gordura vegetal como o azeite;
  • Moderar o consumo de sal, utilizando pouco sal para cozinhar, não adicionando sal no prato e evitando produtos e alimentos com excesso de sal. Em alternativa utilizar ervas aromáticas, como orégãos, salsa, coentros, cebolinho, tomilho, manjericão;
  • Praticar actividade física moderada;
  • Evitar bebidas alcoólicas.

 

 

Sugestões:

 

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  • Lanches - Variar e combinar alimentos como fruta, iogurte ou leite, com hidratos de carbono como pão escuro ou de mistura ou frutos secos (amêndoas, nozes, avelãs, pinhões), sempre com moderação;
  • Torne o prato colorido e apelativo e guie-se pela variedade e porções da Roda dos Alimentos.

 

Evitar:

  • Produtos açucarados – Evitar produtos de pastelaria, sobremesas açucaradas, refrigerantes, chocolates, gomas, rebuçados, etc.;
  • Alimentos salgados – Evitar produtos de charcutaria, salsicharia, alguns queijos, alimentos processados industrialmente, caldos concentrados, alimentos tipo fast-food, etc.;
  • Alimentos ricos em gordura – Evitar produtos de charcutaria e enchidos, chocolates, massas folhadas, produtos de pastelaria, molhos, etc..
  • Misturar vários hidratos de carbono na mesma refeição ( pão, massa, arroz, batata);
  • Cafeína (evitar a ingestão de cafeína acima de 200 mg/dia);

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Boyne, L. (1999). Nutrição Materna e Fetal. In Bobak, I, Lowdermilk, D. & Jensen, M. (Eds.), Enfermagem na Maternidade (7.ª Ed., pp. 182-211). Loures: Lusodidacta.

DGS (2015). Programa Nacional para a Vigilância da gravidez de Baixo Risco. Retirado a 05-06-2018 de file:///C:/Users/Utilizador/Desktop/DGS%20vigilancia%20da%20gravidez%20de%20baixo%20risco.pdf

DGS (2015). Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Alimentação e Nutrição na Gravidez. Retirado a 05-062018 de https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2015/04/Alimentacao-e-nutricao-na-gravidez.pdf

Graça, L. (2010). Restrição do crescimento intra-uterino. In: Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. 4ªEd (pp. 456-464). Lisboa: Lidel.

Klein, P. (1999). Anatomia e Fisiologia da Gravidez. In Bobak, I, Lowdermilk, D. & Jensen, M. (Eds.), Enfermagem na Maternidade (7.ª ed., pp. 95-113). Loures: Lusodidacta.

Machado, M. (2010). Assistência pré-natal. In: Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. (4ªEd, pp. 149-161). Lisboa: Lidel.

 

 

                                                                        a Parteira explica

 

03
Jul18

Suplementação na Gravidez

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Suplementação na gravidez 

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Quase todas as vitaminas e minerais estão presentes em quantidades suficientes em praticamente todos os regimes dietéticos equilibrados....quase, seguem-se as excepções:

 

  • O ácido fólico deve iniciar-se pelo menos dois meses antes da data de interrupção do método contraceptivo (400 μg/dia) e durante as 12 primeiras semanas de gestação, devido à rápida divisão celular no feto, ao aumento da filtração glomerular da grávida e pelo facto do tubo neural fechar no primeiro mês de gestação. Assim, permite prevenir malformações congénitas - defeitos do tubo neural, tais como espinha bífida, anencefalia e meningocelo. As grávidas com filho anterior com defeito do tubo neural ou com história familiar desta situação, devem realizar diariamente uma dose superior (5mg/dia).

 

  • O iodoimpõe-se uma adequada ingestão de iodo - tanto através da inclusão de alimentos que são fontes de iodo, como através da suplementação - necessária para completar as necessidades da grávida, para a maturação do sistema nervoso central do feto e para o seu adequado desenvolvimento. De acordo com a orientação da DGS – Aporte de iodo em mulheres na preconcepção, gravidez e amamentação, “as mulheres em preconcepção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio – 150 a 200 μg/dia, desde o período pré-concepcional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo (..)”. Nas mulheres com patologia da tiróide está contra-indicada esta suplementação.

  

  • O Ferro: o suplemento de ferro em 30 mg/dia é essencial durante o segundo e o terceiro trimestres de gestação, dado o elevado consumo de oxigénio pela gravidez, além da hemodiluição, que faz com que o nível médio da hemoglobina baixe. A absorção deste suplemento é melhor com o estômago vazio e quando tomado com sumos de citrinos, visto que a vitamina C aumenta a sua absorção.

 

  • Outros suplementos vitamínicos apenas se justificam nas grávidas adolescentes, na gravidez múltipla, nas grandes fumadoras, alcoólicas ou toxicodependentes, ou quando a dieta geral não é adequada.

 

  • Nas dietas vegetarianas podem ocorrer carências nutricionais, nomeadamente de ferro e vit. B12.

 

 

Fontes:

 

- Direcção Geral de Saúde [DGS] (2015). Vigilância da gravidez de baixo risco.

- Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. 4ªEd. Lisboa: Lidel.

 

 

                                                                                   a Parteira explica

 

21
Jun18

Sol e Calor - cuidados a ter com as crianças

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Sol e calor – Cuidados a ter com as crianças   

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O calor intenso é muito perigoso para os bebés e para as crianças. Quanto mais pequenos maior a dificuldade de regulação da temperatura, e mais rápida a desidratação, pelo que são necessários alguns cuidados.

 

Cuidados com o calor:

  • Aumente a ingestão de água e/ou sumos de fruta natural
  • Faça refeições leves e frescas
  • Utilize roupa confortável, leve e fresca
  • Promova ambientes refrescantes (feche janelas/persianas e active a circulação de ar)
  • Evite sair para o exterior nas horas de maior calor (11h às 17h30) e tenha especial atenção às variações térmicas intensas, nomeadamente à entrada no automóvel: primeiro refresque o ambiente e active a circulação de ar, e só depois coloque o bebé no automóvel.
  • Os carrinhos de passeio, ovos, marsúpios e slings podem ser demasiado quentes e desconfortáveis, e altamente transpiráveis, prefira que o bebé descanse no berço e vá supervisionando a temperatura.
  • Vigie os sinais de hidratação: tónus da pele, olhos, língua, actividade normal do bebé, fontanela ("moleirinha") não depressível nos lactentes, produção de urina.

 

Devo dar água ao bebé?

  • Bebé que faz aleitamento materno exclusivo – não precisa de dar água ao bebé, pois o leite materno tem tudo o que o bebé necessita. No tempo quente, o que deve fazer é aumentar a frequência das mamadas para garantir uma adequada hidratação. Ao oferecer água a um bebé que faz aleitamento materno de forma exclusiva, pode colocar em causa o sucesso da amamentação, uma vez que, a água vai encher o estômago do bebé, que não terá fome para mamar quando seria suposto, o que leva a uma ciclo vicioso: diminuição da estimulação mamária, diminuição da produção de leite, interferência no crescimento e desenvolvimento do bebé.

 

  • Bebé que faz leite materno e leite adaptado - neste caso deve oferecer água ao bebé.

 

  • Bebé que já iniciou a alimentação complementar (papas, sopas…) também deve oferecer água ao bebé para garantir uma adequada hidratação.

 

É necessário utilizar protector solar nas crianças mesmo quando não vão para a praia?

 

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  • A pele dos bebés é mais fina e sensível pelo que é necessário protegê-la sempre antes de qualquer exposição solar, e não apenas na praia. Sempre que sair à rua deve colocar protector solar na criança.
  • Os protectores solares variam consoante os tipos de filtros que utilizam: físicos/minerais ou químicos. Os filtros químicos precisam de ser absorvidos pela pele para se tornarem activos, enquanto os filtros físicos ou mineras ficam na superfície cutânea.
  • Normalmente, os protectores com filtros químicos são mais fáceis de espalhar, enquanto os físicos/minerais são mais espessos, difíceis de espalhar e deixam a pele branca e engordurada. Recomenda-se que os bebes até aos 12 meses, e idealmente até aos 2 anos utilizem protectores com filtros 100% físicos ou minerais, de modo a não absorverem partículas estranhas.

 

 

Praia - Prevenção/radiação

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Os bebés com menos de 6 meses não devem ser sujeitos a exposição solar, e deve evitar-se a exposição solar directa a crianças com menos de 3 anos.

  • Use roupas claras, leves e frescas
  • Evite a exposição solar entre as 11h e as 17h30
  • Coloque as crianças o maior tempo possível à sombra
  • Mantenha a criança vestida, pelo menos com uma t-shirt (de preferência branca), com chapéu e com óculos de sol com protecção UVA e UVB
  • Utilize protector solar factor 50+ antes de sair para a rua e renove a sua aplicação de forma constante, sobretudo, após o banho ou transpiração

 

Em caso de dúvida, contacte o seu médico assistente ou a linha de Saúde24: 808 24 24 24.

 

Fontes:

Direcção Geral de Saúde [DGS] (2018). Apresentação do plano de Contingência Saúde Sazonal – Verão 2018.

Direcção Geral de Saúde [DGS] (2011). Calor e Radiação Ultravioleta – cuidados a ter com as crianças.

 

 

                                                                            a Parteira explica

 

12
Jun18

Toxoplasmose e Gravidez

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Toxoplasmose

 

ciclo da cadeia epidemiológica da toxoplasmose.bm

 

O que é a toxoplasmose?

A toxoplasmose é uma infecção causada por um protozoário, o Toxoplasma Gondii, que tem como principal hospedeiro o gato e cujo período de incubação é de cerca de dez dias.

 

Qual a sua prevalência?

A prevalência da Toxoplasmose varia de país para país, observando-se variações tão grandes na prevalência como 20% nos Estados Unidos da América e na Inglaterra, 73% na França e cerca de 60% em Portugal. A taxa de infecção é de cerca de 4,2 crianças infectadas em cada 1000 nados vivos.

 

Como ocorre a transmissão da toxoplasmose?

A infecção nos gatos faz-se pela ingestão de roedores infectados. Os organismos desenvolvem-se nas células intestinais do gato, são eliminados nas fezes e amadurecem no meio externo em três a quatro dias em oócitos infectantes. Estes podem ser ingeridos por outros animais ou pelos seres humanos e produzir uma infecção aguda e crónica de vários tecidos, incluindo o cérebro.

Assim, os seres humanos são infectados por duas fontes: Ingestão de alimentos contaminados por oócitos (geralmente através das fezes dos gatos) e Ingestão de carne mal cozida de animais que servem como hospedeiros intermediários.

 

Sintomas:

 

Nas pessoas saudáveis, esta infecção não provoca sintomas porque o sistema imunitário impede o parasita de causar doença. Quando ocorre, tende a ser muito ligeira, semelhante a um quadro gripal que dura algumas semanas ou meses e depois desaparece.

Os sintomas da doença incluem calafrios, febre, cefaleias, mialgias, linfadenite cervical posterior e fadiga, assemelhando-se à mononucleose infecciosa. Contudo, é importante reter que o parasita permanece no organismo, podendo ser reactivado se as defesas diminuírem.

Os sintomas de forma crónica são inflamação ocular, exantema, febre alta, hepatite, encefalomielite e miocardite.

 

Como se diagnostica a toxoplasmose?

O diagnóstico de toxoplasmose é quase sempre laboratorial, através de análises ao sangue que demonstram a presença de anticorpos contra o parasita.

 

Como se trata a toxoplasmose?

Na maioria das pessoas saudáveis, a recuperação da toxoplasmose ocorre sem tratamento. No entanto, quando necessário o tratamento consiste na administração de um conjunto de medicamentos, como a espiramicina, sulfadiazina e a pirimetamina,

O tratamento durante a gravidez é discutível, porque os medicamentos podem ser tóxicos para o feto. Como tal, importa avaliar cada caso de forma individual, no entanto a a espiramicina 3 gramas por dia tem-se revelado eficaz, uma vez que, é considerada inócua mesmo no primeiro trimestre de gravidez. O medicamento deverá repetir-se ao longo da gravidez, com intervalos de um mês, acompanhado da vigilância da grávida e feto. De acordo com a lei, a infecção materna por toxoplasmose pode justificar a interrupção da gravidez.

 

Toxoplasmose e gravidez – Como ocorre a infecção fetal?

A infecção fetal pode dar-se por dois mecanismos: migração transplacentária durante a parasitémia materna, como consequência de infecção aguda durante a gravidez e por via transplacentária ou transamniótica, a partir de quistos de toxoplasma acantonados no endométrio numa infecção latente e pré-concepcional.

O risco para o feto depende da idade gestacional em que a infecção ocorre e da sua capacidade imunitária no momento da transmissão. Quando a infecção materna se verifica no último trimestre, a transmissão ao feto é mais frequente mas a doença do recém-nascido é quase sempre subclínica. Se a infecção ocorre no início da gravidez, a transmissão fetal é menos frequente, mas a doença no recém-nascido é mais grave, uma vez que, a infecção pode ser assintomática na mãe com transmissão não reconhecida para o feto, aumentando o número de abortos, nados mortos, atraso intra-uterino do crescimento e infecção congénita grave. Ao nascer, o recém-nascido desenvolverá icterícia, hepatoesplenomegália, convulsões, encefalite, microcefalia, calcificações cerebrais, atraso mental, coriorretinite e cegueira com mau prognóstico.

 

  

Prevenção:

 

Relativamente à prevenção primária da doença, deve passar por dois pontos fulcrais: medidas ao nível da alimentação e medidas ao nível do contacto com o meio ambiente e com os animais:

 

- Utilizar luvas em actividades que impliquem contacto com a terra e lavar as mãos no fim das mesmas

- Lavar bem as mãos e todos os utensílios de cozinha (facas, tábuas) durante e após a preparação de alimentos crus

- Descascar ou lavar bem as frutas, verduras e legumes crus para retirar a terra

- Evitar ingestão de saladas fora de casa

- Carne e ovos bem cozinhados  

- Não consumir produtos lácteos não pasteurizados

- Evitar água não tratada

- Evitar o contacto com a caixa de areia dos gatos (dejectos) e, se tal for necessário, fazê-lo usando luvas e lavando as mãos logo de seguida.

 

                                                                         

                                                                            a Parteira explica

 

 

Fontes:

 

- Graça, L. (2010) Medicina Materno-Fetal. 4ªEd. Lisboa: Lidel.

- Direcção Geral de Saúde [DGS] (2000). Divisão de Saúde Materna, Infantil e dos Adolescentes. Saúde Reprodutiva: Doenças Infecciosas e Gravidez. Orientações Técnicas. Lisboa: Monumental.

- Centers for Disease Control and Prevention (2017). Toxoplasmosis.

- Direcção Geral de Saúde [DGS] (2015). Vigilância da gravidez de baixo risco.

10
Jun18

Vacinação da grávida contra a tosse convulsa

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Vacinação da grávida contra a tosse convulsa

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O que é a tosse convulsa? 

A tosse convulsa é uma doença infecciosa do aparelho respiratório causada geralmente por uma bactéria, a Bordetella pertussis.

 

Como se transmite?
A transmissão ocorre por inalação das gotículas respiratórias que se libertam para o ar através da tosse da pessoa infectada. A transmissão acontece apenas entre humanos. 

 

Como se diagnostica?
Na maioria dos casos o diagnóstico é feito pela clínica, podendo ser realizados exames laboratoriais para pesquisa da bactéria. 

 

A tosse convulsa tem tratamento?
Sim. Deve-se instituir tratamento antibiótico adequado sempre que se suspeite de tosse convulsa, após colheita de secreções para pesquisar a bactéria.

 

É uma doença de notificação obrigatória?
Sim. A tosse convulsa é uma DDO (doença de declaração obrigatória) e devem ser notificados todos os casos prováveis e confirmados. 

 

É necessário tratar as pessoas que tiveram contacto com a pessoa infectada?

Sim, é necessário fazer profilaxia antibiótica. Esta deve ser feita a todo o agregado familiar e a todas as pessoas que tiveram contacto com um doente sintomático.  

Importância da Vacinação contra a tosse convulsa na gravidez – fundamentação:


A vacinação é o principal meio de prevenção da doença e reduziu drasticamente a incidência da doença.

No entanto, nos últimos anos assistiu-se à reemergência desta doença. Entre 2000 e 2011 registaram-se 370 casos e 5 óbitos. Em 2012, 2013, 2014 e 2015 foram declarados um total de 677 casos e ocorreram 8 óbitos. A maior incidência da doença ocorreu em crianças com idade inferior a 2 meses (42% dos casos) ou seja, crianças que não tinham ainda iniciado a primovacinação, seguida do grupo etário 2 a 5 meses.

Entre as causas mais prováveis para o aumento da tosse convulsa estão a diminuição rápida da imunidade conferida pela vacina acelular e o aparecimento crescente de mutantes de escape vacinal, ou seja, variantes da bactéria que, devido à pressão selectiva vacinal, apresentam antigénios que divergiram em relação aos incluídos na vacina, o que determina que adolescentes e adultos sejam susceptíveis de contrair a infecção, sendo estes as fontes de contágio de lactentes com cobertura vacinal ausente ou parcial.


Desta forma sabe-se que a nem a infecção nem a vacinação (DTPa aos 2, 4, 6, 18 meses e aos 5-6 anos) providenciam imunidade permanente, mas na ausência de novas vacinas mais eficazes há que implementar estratégias adicionais de controlo da tosse convulsa com o objectivo prioritário de reduzir a carga da doença em lactentes de idade inferior a 2 meses, o grupo etário com doença mais grave e maior letalidade.

 

Assim a Direcção Geral de Saúde (DGS) incluiu a vacina Tdpa às grávidas no programa Nacional de Vacinação, sedo recomendada e gratuita a partir de 2017, e deve ser repetida em cada gravidez.

 

 

Estratégia de controlo da tosse convulsa nos RN :

A estratégia que tem demonstrado maior efectividade é a vacinação da grávida, que se baseia na passagem transplacentária de anticorpos da mãe para o filho, conferindo-lhe protecção passiva até ao início da vacinação, aos 2 meses de vida.

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Como:

- Recomenda-se a vacinação durante a gravidez com uma dose de vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano, e a difteria, em doses reduzidas (Tdpa), entre as 20 e as 36 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas (altura da gravidez em que a passagem de anticorpos é mais eficaz).

- A vacinação deve ocorrer após a ecografia morfológica (que se deve realizar ente as 20 e as 22 semanas + 6 dias).

-A vacinação anterior à gravidez ou a vacinação em gravidez anterior não cumprem este requisito, sendo necessário repetir a vacinação em cada gravidez.

 

Os estudos efectuados demonstram que a vacinação da grávida é segura.

 

 

                                                                                         Fonte: Direcção Geral de Saúde, 2016

 

 

                                                                        a Parteira explica

01
Jun18

“Representações da gravidez e m/paternidade"

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A gravidez é o período de cerca de 40 semanas que decorre entre a concepção e o nascimento do novo ser. Época dotada de experiências, sentimentos, expectativas, encanto e maior vulnerabilidade pessoal independentemente de ser ou não planeada (Leal, 2005). Hoje, tende a ser um acontecimento menos frequente e mais adiado, pois dada a actual situação económica e social a maioria dos casais procura estabilidade profissional antes da sua concretização, uma vez que, “ter um filho é cada vez mais um projecto de vida dispendioso a todos os níveis, do qual não se pode desistir nunca” (Leal, 2005, p.15).

A gravidez pode traduzir diversas realidades: concretização de um grande amor, relações conflituosas, imposição de um dos elementos (que o outro aceita apenas pelo medo da perda), um acaso ou um meio para atingir um fim (opção tomada por alguns casais na tentativa de salvar a relação, o que não tem muito êxito na realidade com que me deparo) (Canavarro, 2006). Assim, as gravidezes nem sempre resultam de um investimento pessoal/conjugal, de uma reflexão mas também derivam de vivências difíceis, pelo que em alguns casos não são sinónimo de felicidade, o que coloca em risco a capacidade de adaptação à situação (Canavarro, 2006; Leal, 2005).

Devo dizer que a maioria das gravidezes que conheço continuam a ser um objectivo no projecto de vida individual e do casal “no momento certo”. Hoje, apesar de toda a informação que existe continuam a surgir gravidezes que embora não planeadas, não foram evitadas mas acredito que nada é por acaso e que muitas vezes se não for inesperado o momento certo nunca chega.

Os nove meses da gravidez constituem um período de transição, que tem como função preparar os pais para as tarefas complexas e desafiantes que se lhes vão colocar pela frente. É um processo cultural, social e cognitivo, no qual através de ensaios de papéis e tarefas maternas/paternas, de ligações afectivas, de reflexões, os futuros pais se preparam para a consolidação da m/paternidade. A gestação acarreta mudança e cada mudança gera stress, implica perdas e ganhos, conforme o significado que tem para cada pessoa (pode ser angustiante ou recompensadora), e solicita adaptações (Canavarro, 2006).

O desafio inicial prende-se com descobrir e aceitar a gravidez, através de mudanças físicas/emocionais que a mulher vivência e depois pela possibilidade de visualizar o feto na ecografia. No segundo trimestre, o auge ocorre quando se sentem os movimentos fetais, o que contribui para um maior envolvimento do pai na gravidez. Aqui, ideias pré-concebidas sobre bem-estar fetal, parto vaginal e amamentação, poderão contribuir para um menor interesse sexual do homem pela mulher, realidade oposta ao desejo feminino. Nesta fase, “a proximidade com a sua companheira pode manifestar-se por sintomas psicossomáticos, gastrointestinais, alterações de apetite/peso, cefaleias e ansiedade” (Martín-Moyano, et al, 2009, p.51). No último trimestre da gestação, regressa a ansiedade e o medo do parto paralelo ao desejo cada vez maior de ver o bebé. Aqui normalmente aconselha-se a manutenção de uma vida sexual, para servir de estímulo à indução natural do parto, evitar cesarianas e constituir uma oportunidade do pai contribuir activamente no nascimento do filho.

A m/paternidade dependem da cultura e da sociedade em que estamos inseridos, “na nossa cultura cristã ocidental, a maternidade transcende em tudo a mera gravidez” (Leal, 2005, p.11). Trata-se de um projecto para toda a vida, repleto de amor, cuidados, interesse, partilha, responsabilidades e acções determinantes para o crescimento saudável do novo ser (Canavarro, 2006). Depende da disponibilidade pois “requer que, mais do se desejar ter um filho, se deseje ser mãe” (Leal, 2005, p.12). Como refere Canavarro (2006), a maternidade é um processo natural, instintivo, inato, determinante para a identidade sexual e realização pessoal das mulheres. Penso que para os pais a transição para a parentalidade vai depender das relações interpessoais, com a companheira/família. Os seus sentimentos acerca do nascimento de um filho podem ser ambíguos, receiam a perda de liberdade, de independência, e de romance com a sua companheira (Colman & Colman, 1994). Por outro lado sentem orgulho (representativo da sua masculinidade e fertilidade), ansiedade e incerteza, relacionadas com as novas responsabilidades e exigências (económicas, pessoais, sociais e laborais), sendo fundamental uma reorganização de papéis e funções na vida pessoal, conjugal e profissional.

Actualmente, as mudanças nos papéis sociais têm contribuído para o aumento do envolvimento dos pais com os bebés. A entrada da mulher no mercado de trabalho tornou-a menos disponível para cuidar das crianças, pelo que os pais deixaram de estar apenas comprometidos com o sustento económico e com a disciplina e tiveram de dividir a prestação de cuidados, nas diferentes etapas do desenvolvimento da criança (Cabrera, Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth & Lamb, citados por Brandão, 2009).

 

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